Diário de Baco

vinho, gastronomia e amizade

Foto lindíssima do meu caro amigo Joffre (@Joffre_Oliveira), fotógrafo talentoso e apreciador do bom vinho.

Ultimamente tenho ido a ótimos eventos, mas com pouquíssimo tempo para escrever sobre eles. Mas como não é justo guardar só para mim o que é bom, nos próximos dias falarei de todos os bons eventos e vinhos que provei.

Para começar (de trás para frente), nesta última terça-feira, estive no Grand Tasting, evento promovido pela importadora Grand Cru. O evento aconteceu na Casa da Fazenda, no bairro Morumbi em São Paulo, um local maravilhoso, diga-se de passagem. Na enorme varanda e também dentro do salão principal, os vinhos foram organizados por estações tamáticas como: “Champagne e Espumantes”, “Achados do Novo Mundo”, “As preciosidades de Montalcino”, e por aí foi…mesa após mesa, fomos provando os melhores vinhos do catálogo da importadora.

Em especial, anotei alguns rótulos que gosto muito que já conhecia e outros que tive a felicidade de descobrir. Seja por qualidade acima da média ou por ótimo preço, compartilho com você:

- Gosset Excellence Brut
ótimo champagne – cremoso, complexo e de excelente acidez

- Leyda Lot 5 Chardonnay 2007
um chardonnay barricado, macio na boca, mas sem o excesso de madeira. fruta fresca, acidez na medida e equilíbrado.

- Weinbach Reserve Gewurztraminer 2007
o branco mais marcante do evento. floral e fruta intensa no nariz. acidez deliciosa, aveludado, bom corpo e final adocicado.

- Mediterra  2007 Poggio al Tesouro
um super toscano feito de syrah, merlot e cabernet sauvignon. delicioso corte com o estilo italiano, fresco, frutado, toques de chocolate e tostado. Fácil e pronto para beber.

- Glaetzer Wallace  2006
Um australiano potente mas muito equilibrado, aromas de fruta madura, defumado, taninos vivos, de encher a boca.

- Rosso di Motalcino Talenti 2007
Para mim, o melhor em termos de qualidade x preço dos “rossos” que provei por lá.

- Arrocal  2008
Um  tempranillo 100% típico e muito bem feito, direto de Ribera del Duero. Por 55,00, um achado.

- Medalla Real Sauvignon Blanc
Nada daquele maracujá previsível da maioria. Mineralidade intensa e um aroma intrigante de milho verde.

- Feudo Macari Maharis 2006
Um corte interessante de nero d’avola, cabernet sauvignon e syrah, vindo direto da Sicília, que resultou num vinho único de grande acidez, aromas de fruta vermelha fresca, especiarias, taninos finíssimos e final longo. um vinho especial.

- Outpost Zinfandel 2003
Para fechar um americano 100% zinfandel, de tirar o chapéu. Nem cabe aqui descrevê-lo longamente, um espetáculo.

Daniel Perches, eu e Álvaro Galvão (foto by @camilaperossi)

Por fim, um evento impecável e descontraído, onde encontrei provei vinhos fantásticos, encontrei vários amigos e tive a oportunidade de conhecer tantos outros. Parabéns à Grand Cru em realizar um evento neste nível.

Coincidência ou não, hoje, três dias depois do meu aniversário, recebi em casa uma encomenda e quando abri, a surpresa: o saca-rolhas criado pelos irmãos Humberto e Fernando Campana em parceria com a Tramontina. Em um recente evento que participei, promovido pela Ibravin, ele foi apresentado como o ícone da estratégia de marketing que busca reposicionar os Vinhos do Brasil.

Muito elegante, esse é daqueles objetos para decorar e usar.

Logicamente vou estreiar, abrindo um bom vinho brasileiro.

Um brinde a Ibravin!

Ontem foi meu aniversário, mas diferente em parte dos outros, porque completei 40 anos!

Logicamente, escolhi um vinho especial para comemorar, o Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva 2000. Esse vinho tem para mim, alguns significados especiais e por isso, achei um boa hora de abrí-lo. Foi um dos primeiros grandes vinhos que tive o prazer de conhecer numa degustação e naquela opotunidade, provei o 1998, um show, praticamente derrubou todos os outros da mesma vinícola Marquês de Murrieta, até mesmo o top deles, o Dalmau. Estava exuberante.

Além disso, a partir do ano 2000, iniciou-se uma ótima fase em minha vida profissional e pessoal. Nos últimos 10 anos, alcancei muitos objetivos e conheci grandes amigos, que se Deus quiser, farão parte da minha vida para sempre.

E o vinho…ah mas como estava elegante. Os amigos do Olavo Restaurante, aqui em Campinas, o trataram com todo o carinho, colocando-o num decanter, para que todo seu potencial aparecesse. Nem tivemos pressa…enquanto o vinho abria, nos deliciamos com uma taça de espumante.

Sua cor já era translúcida, com um tom rubi muito brilhante. No nariz uma explosão de aromas – chocolate, tostado, fumo, azeitona preta, cereja e aquele toque oxidado, presente em vinhos do porto. Na boca então, muito macio e elegante, corpo médio, taninos finíssimos mas ainda presentes, acidez espetacular e um final longo e frutado.

A cada gole, que dividi com  pessoa que mais amo nesse mundo, lembrei dos ótimos momentos que passei para chegar até aqui.

Essa fase eu já cumpri.
Agora só quero pensar no futuro.

Outro dia falei por aqui que o tempo é inimigo dos blogueiros lembra? O mesmo não posso falar em relação a alguns vinhos. Sim, muitos vinhos, não todos, ficam muito melhores com o passar do tempo. O tempo é o melhor amigos dos bons vinhos.

E depois de uma semana sensacional, provando maravilhas no Decanter Wine Show e Encontro de Vinhos, achei que estava devidamente satisfeito, mas não, eis que meu amigo Silvestre, me chama de lado e diz: “Amanhã nos encontraremos no almoço para beber umas surpresas que eu trouxe. Vem com a gente!”. Nem pensei em recusar!

Ainda bem, porque foi épico. Veja as raridades:

Cousino Macul Antiguas Reservas 1995.
Nariz bem discreto de couro e leve herbáceo e na boca taninos finos, quase inexistentes e leve acidez. Se alguém ainda tem dúvidas da longevidade de um bom vinho chileno, melhor mudar seus conceitos.

Tignanello 1995.
Particularmente, tenho um carinho especial por esse vinho, pois me trás muitas boas lembranças recentes. Um digno toscano com aromas de frutas secas, couro e terroso. Na boca os taninos ainda vivos e acidez excepcional.

Marquês de Riscal Gran Reserva 2000.
Um vinho de 10 anos e seguramente com mais 10 anos pela frente, senão mais. De cor ainda violácea, intensos aromas de fruita madura, caramelo, potente e muito aveludado na boca. Um show! Esse foi oferecido pelo amigo Walter Tommasi.

Mas quando achei que estava praticamente na porta do céu (ou do inferno, como preferir), veja o que me aparece para acompanhar a sobremesa…

Tokaji Aszú 3 Puttonyos 1989.
Impressiona pela cor, um marrom escuro, com aromas predominantes de mel de laranjeira e na boca, um supreendente sabor de chá preto. Ainda untuoso e com ótima acidez, depois de 21 anos.

Para mim, esse almoço teve um gosto especial, pois foi um verdadeiro presente de aniversário antecipado, ainda mais na companhia de amigos sempre generosos como Silvestre, Walter, Beto, Jeriel e Daniel.

No último dia 5 de Agosto, estive no Encontro de Vinhos, evento promovido pelos enoblogueiros Daniel Perches (Vinhos de Corte) e Beto Duarte (Papo de Vinho). Um evento diferente, muito descontraído, promovido por esses novos personagens, que saíram de seus blogs no mundo virtual e foram para o mundo real, reunir toda essa gente apaixonada por vinhos.

E parece que esses formato, ditado por uma nova geração, está dando certo. O evento estava cheio, movimentado e atraiu muita gente. Durante o evento, conversei com várias pessoas e todas elas, visitantes, expositores, profissionais da área, se mostraram muito satisfeitos e impressionados com tudo aquilo. Sinceramente, acredito que em feiras como essa, são ótimas oportunidades para as pessoas de todos os níveis, dentro do universo do vinho, tanto para os profissionais, como forma de trocar idéias e fazer negócios, quanto para aqueles iniciantes, que querem aprender mais sobre o vinho e conhecer as novidades.

Paralelamente ao evento, houve a eleição dos 5 melhores vinhos da feira, analisados por uma comissão julgadora, comissão esta, que tive a honra de participar.

No andar de cima de onde acontecia o evento, foi preparada uma sala especialmente para a degustação, onde foram avaliados os 24 vinhos fornecidos pelos expositores. Por fim, os 5 melhores vinhos do Encontro de Vinhos foram:

top 5 encontro de vinhos

Depois da degustação, pude circular pela feira e degustar alguns vinhos muito interessantes. Veja só:

Um francês delicado no nariz e muito leve e sedoso na boca. 85%merlot e 15% cabernet. Cave Jado.

O complexo Barrua. No nariz couro, tostado e na boca taninos vigorosos, mas sem perder a elegância. Um vinho pra sensacional para curtir até a última gota. Ravin.

Olha só a surpresa: a Miolo trouxe o Couveé Giuseppe Chardonnay. Passa 6 meses em barricas francesas, mas ainda sim um chardonnay leve e elegante. Só não entendi porque irá custar mais de R$ 60,00, se o seu irmão tinto custa R$ 40,00.

Os ótimos vinho da Tempus Alba, em especial o Vero, ainda sem importador. Aromas intensos de fruta negra, especiarias e muito macio e sedoso na boca.

Esse é o Terras de Penalva, um rosé português o Dão diferente, gastronômico e com aroma inusitado de menta. Por volta de R$ 30,00, uma bela compra. FTP Wines.

Esse foi outro achado na feira: um chardonnay californiano muito bem feito. Aromas de maçã verde e o toque amanteigado sem exageros. Wine Lovers.

Quem vê de fora a gente girando e botando o nariz dentro da taça pensa de tudo, que somos malucos, frescos, esnobes e por aí vai. Não sabem esses seres, o número infinitos de aromas que, com um pouco mais de atenção, podemos identificar no vinho.

Mas para colocar à prova e tirar essa e outras dúvidas, nossos intrépidos amigos blogueiros Daniel Perches (Vinhos de Corte) e Beto Duarte (Papo de Vinho), fizeram uma experiência para lá de inusitada em pleno CEAGESP em São Paulo, para provar que o vinho tem aromas sim, e dos bons!

Salvador Dali

Salvador Dali

Este blog anda meio lento, mas nem por isso vou ficar aqui pedindo desculpas por não postar faz “X dias” ou um “daqui a pouco eu volto, ando ocupado” e blá, blá, blá. Acho muito mais digno o que fez um blogueiro um dia desses. Ele educadamente me comunicou que temporiamente desativaria seu blog do Enoblogs, por estar numa nova fase da vida, que consumiria todo seu tempo, não conseguindo portanto focar em escrever.

E é sim o tempo, o maior inimigo do blogueiro. Por quê? Simplesmente pelo motivo do blogueiro amador escrever por prazer, e é esse prazer, o maior combustível para a inspiração de escrever algumas linhas.

Diferente daqueles que escrevem profissionalmente, o blogueiro amador só tem o compromisso consigo mesmo, de gravar em bits e bytes, suas experiências e pensamentos. São registros apenas, sem início, meio e fim. Não é como um livro. Cada post é um conto. Quem chega e lê aquele conto, às vezes clica e lê o próximo, às vezes não e vai embora. Sem ressentimentos.

E o tempo, aquele tempo que devemos separar para as coisas que nos dão mais prazer, é o mais difícil de garimpar. São como aqueles vinhos excelentes e baratos que descobrimos de vez em quando, e de tão difícil, aproveitamos ao máximo.

É como esse texto, no pouco tempo que tive, aproveitei e compartilhei como você a brincadeira de “crossing blogs”, que os amigos blogueiros inventaram. E o tema é esse, a vida de blogueiro.

Se quiser, você pode ler os anteriores, do Nosso Vinho, do Além do Vinho e do Falando de Vinhos ,mas se quiser, pode sequir em frente e ler o que o Vivendo Vinhos acha do dia-a-dia de blogar.

cuvee giuseppe 2005

Hoje vou falar de um bom vinho brasileiro, mas antes quero contar que esse vinho foi um achado, achado não, um reencontro.

Nessa vida de enófilo apaixonado e sua incessante busca pelo melhor vinho, você começa comprando 2, 3 garrafas, daí um amigo lhe indica uma pechincha e você vai lá e compra umas garrafas a mais, só para ver como evoluirão nos próximos anos. Depois faz uma viagem e trás algumas preciosidades e por aí vai – quando se deu conta, você tem algumas dezenas de garrafas estocadas em adegas, armários, gavetas, até chegar o ponto de você estar disputando espaço com a roupa de cama. E seu parceiro pode não gostar nada disso :)

Logicamente aqui em casa não é esse caos, mas mesmo assim, não me impede de simplesmente esquecer de alguns vinhos que comprei e foi esse o caso desse belo exemplar da Miolo. Numa compra que o amigo Cristiano fez de 4 garrafas, fiquei com duas e guardei….guardei tão bem, que não lembrava mais deles.

Um dia na casa do Cristiano, comentei que queria experimentar o Cuvée Giuseppe e ele me lembrou que tinha me entregue duas garrafas. Eu teimava que não e ele teimava mais ainda que sim. Teimoso esse cara.

Voltei pra casa e revirei minha garrafas, conferi uma por uma até que vi uma pequena caixa no fundo do armário, que eu achava que era só uma caixa. Quando abri, lá estavam as benditas! E o teimoso tinha razão.

Resolvi então levar uma delas num jantar na casa do Emerson e surpreendeu  todos – um vinho de cor muto escura, de grande concentração, aromas intensos de fruta vermelha (geléia), madeira, chocolate, café torrado e na boca também bastante estrutura, taninos ainda jovens, boa acidez e muito saboroso. Um vinho potente, um pouco alcoólico na primeira taça, mas que depois de 1 hora aberto equilibrou.

Excelente para acompanhar carnes grelhadas e pratos mais condimentados, o Cuvée Giuseppe é um corte de cabernet sauvignon  (60%) e merlot (40%) que custa em torno de R$ 40,00. Boa compra.

E você? Também tem vinhos perdidos pela casa?
Pode ser um bom vinho hein…
;)

Neste último sábado, eu e a Vanessa não estávamos afim de comer muito, sabe como é? Aquela vontade só de beliscar umas coisinhas e beber um bom vinho, daí resolvemos dar uma volta no Empório Santa Therezinha, que fica no Shopping D.Pedro, aqui em Campinas. Lá você pode escolher o vinho na prateleira e o sommelier leva para sua mesa, da mesma forma como alguns raros locais aqui em Campinas, como por ex, o Pão do Cambuí. O preço geralmente é bom, porque o que interessa ao dono do lugar, é você circular sempre por lá e consumir o que há de melhor, a comida. E é isso que fazemos.

Assim que resolvi o que beber naquela noite, um Rosemount Cabernet/Merlot 2005, o sommelier me abordou e disse se eu não preferia experimentar um 2003, 2 anos mais velho e segundo ele, mais macio e redondo. Me garantiu, logicamente, que se estivesse estragado, trocaria por outra sem problemas.

Fui para nossa mesa e veio o sommelier com a garrafa, duas taças e nos serviu o vinho. Sua cor na taça ainda era bem escura, como diz um amigo meu, IMPENETRÁVEL, e seus aromas muito frutados, mas não a fruta fresca, mas aquele toque de fruta passada que os vinhos mais evoluídos apresentam. Na boca, ótima acidez, taninos muito finos, bom corpo e final longo. Um vinho sem aquele “peso” dos vinhos que passam muito tempo em madeira, muito elegante. Aliás, esse australiano não passa por madeira.

Ótimo vinho, difícil de se ver por aí, ainda mais pelos honestos R$ 50,00 que paguei num restaurante.

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