9 de fevereiro de 2010

Os Borgonhas de Giles Ballorin

Semana passada tive o privilégio e a alegria de participar de uma degustação muito especial dos Borgonhas artesanais e biodinâmicos do Domaine Ballorin et F. Essas verdadeiras jóias, nascem das mãos de Giles Ballorin, um produtor que conhece e respeita muito seu terroir, e sabe como ninguém extrair dele o melhor, sem agredí-lo.

O convite partiu do Beto do blog Papo de Vinho, que conhece Giles de perto e o encontro aconteceu no Empório Vila Buarque, um verdadeiro oásis, dentro de São Paulo.

Foram 6 vinhos provados, 1 rosé mais 5 tintos. Vamos às impressões:


Marsannay Rosé
Cor salmão alaranjado, um nariz muito floral e mineral, mas na boca bem diferente, certa untuosidade, amanteigado e leve amargor. Esqueça daquela fruta vermelha fresca. Um rosé bem diferente e gastronômico.

Passetoutgrains Le Temeraire 2007
Um corte de Gammay e Pinot Noir. Rubi claro, translúcido e de cara um toque animal (carne crua) e em segundo plano a fruta em compota delicada. Na boca, corpo médio, a fruta vermelha fresca, boa acidez e conjunto equilibrado.

Bourgogne Pinot Noir "Le Bon" 2007
Também de linda cor rubi claro, aromas inicialmente sem complexidade de frutas vermelhas (framboesa, cereja) e um toque de creme holandês, mas que após um tempo na taça, evoluiu para um café sensacional. Taninos muito finos e ótima acidez. Para mim, o melhor custo-benefício da noite.

Côtes de Nuits Villages 2007
Mais complexo que os anteriores no nariz - frutas vermelhas, especiarias (canela). Na boca se repetem as frutas e especiarias, taninos firmes, acidez elevada, equilibrado e longo final.

Fixin 2007 Les Chevenieres
Apenas 12% de álcool. Fruta fresca madura delicada no nariz, o mais equilibrado e redondo de todos, pronto para consumo. Evolução aromática impressionante para cravo, canela, café, caramelo e couro. Foi o que mais gostei do painel.

Nuits St Georges 2007
O mais estruturado de todos. Um vinho para se beber sem pressa, pois sua evolução na taça é incrível. Aromas de rosas, couro, terroso, especiarias, taninos mais rústicos. Um vinho que evoluirá muito nos próximos anos.


O fato marcante dessa degustação foi perceber toda sutileza e vivacidade dos borgonhas. Durante a degustação, eu e o João Felipe, ficamos brincando de comparar o mesmo vinho em taças de diferentes formatos. Impressionante a diferença!

Para fechar a noite com chave de ouro, o Marcelo di Morais nos presenteou com um polpetone com nhoque recheado, preparado pela Sayonara.

Se quiser conhecer um lugar especial em São Paulo, para beber bons vinhos e ser recebido com todo carinho, visite o Empório & Bistrô Vila Buarque. Fica na Rua Major Sertório, 561 - Vila Buarque. Procure pelo Marcelo, ele lhe receberá de braços abertos.

Esses borgonhas muito especiais, você encontra no empório e também na Santa Ceia Vinhos.

8 de fevereiro de 2010

Danie de Wet Chardonnay sur lie 2008

Adoro os vinhos brancos e pegando carona no tema sugerido pelo Cristiano sobre os "Brancos e Oprimidos", hoje vai uma ótima dica de um chardonnay, que não é daqueles mais pesados que passam por madeira, é leve, aquela fruta cítrica como maçã-verde, maracujá, discreta mineralidade no nariz e na boca é refrescante e com certa untuosidade, deixando-o muito aveludado. Um show de elegância!

Um vinho branco de bom custo (R$ 40,00), muito bem feito na África do Sul pelo produtor De Wetshof Estate, daqueles para se abrir na abertura de um jantar e acompanhar uns aperitivos ou mesmo para se beber sozinho.

Gostou? Então que tal experimentar um bom vinho branco?
;o)

5 de fevereiro de 2010

Filipa Pato 3b

Esse espumante conheci em um almoço, que foi gentilmente oferecido pelo meu confrade Daniel (Vinhos de Corte). Entre uma conversa e outra, um zinfandel e outro, ele ofereceu esse espumante portugês, para acompanhar uma salada de palmito e palta, aliás sensacional.

É um espumante feito com duas uvas típicas portuguesas, Baga e Bical, que como resultado, um vinho de cor alanjada, aromas de frutas frescos e delicados de flores. Boa acidez e certa cremosidade na boca.

Um espumante simples, mas bem feito e acompanhou a salada com perfeição.

4 de fevereiro de 2010

Casa Valduga Gran Reserva Chardonnay 2008

Esse é um 100% chardonnay da Casa Valduga, mais um grande vinho branco brasileiro, aliás assim como os espumantes, os vinhos brancos também tem se saído muito no Brasil.

Um vinho de linda e intensa cor dourada brilhante e como se espera de um bom chardonnay que passa por madeira, é untuoso e saboroso na boca, fruta madura adocicada, aquele toque amanteigado sem exageros e retrogosto tostado. O vinho equilibrado e de ótima persistência, daquelas que o final da taça puxa rapidamente a próxima. Uma delícia!
Pena que acaba rápido...rssss.

Por esse grand reserva, paguei cerca de R$ 45,00, um bom custo para um chardonnay bem feito e de qualidade.

3 de fevereiro de 2010

Sucre - Bons vinhos chilenos nas mãos de uma brasileira

A convite da Wine Company, estive na apresentação dos novos vinhos da Sucre, marca criada por Ângela Mochi, proprietária da importadora.

A Ângela é um pessoa adorável e carismática e que tem uma história muito interessante com os vinhos: era uma consumidora de vinhos (como eu e você), que resolveu abrir uma loja, que depois abriu uma importadora e que agora, arrendou um vinhedo no Vale do Maule no Chile, para fazer seus próprios vinhos, ou seja, ela trilhou o caminho inverso da maioria dos produtores e isso faz toda difereça, porque segundo ela, esse olhar de consumidor lhe dá a clareza de colocar na mesa do brasileiro, um vinho de ótimo custo-benenefício e fácil de beber. E parece que está conseguindo.

Na degustação, degustamos 3 vinhos da linha varietal e mais 3 da linha reserva. Vamos aos vinhos:

Sucre Sauvignon Blanc 2009
Palha quase transparente com reflexos esverdeados. Aromas de média intensidade de frutas cítricas (maçã-verde), herbáceo, mineral. Boa acidez, refrescante e final curto.

Sucre Carmenère 2008
Aromas de fruta vermelha madura e um toque balsâmico. Corpo médio, equilibrado, taninos finos e leve amargor no final.

Sucre Cabernet Sauvignon 2008
Vinho muito jovem, mancha a taça. Fruta vermelha madura, especiarias, chocolate. Corpo médio, ótima acidez e carga tânica maior que o carmenère.

Sucre Reserva Carmenère 2008
Fruta vermelha (cereja), couro, especiarias, café e leve toque herbáceo. Macio na boca, corpo médio, boa acidez e final curto.

Sucre Reserva Syrah 2008
Cor rubi de média intensidade, aromas de madeira molhada, fruta vermelha adocicada e especiarias. Taninos presentes, mas nâo agressivos, equilibrado.

Sucre Cabernet Sauvignon Reserva
Aromas de café torrado, caramelo, frutas vermelhas maduras, baunilha e couro. Na boca apresenta bom corpo e persistencia. Foi o que mais gostei.

A Ângela me contou ainda, que todos os cortes tiveram pelo menos uma parcela pequena de syrah. Perguntei o motivo e ela foi direta: "Adoro syrah e o toque perfumado de especiarias que ela confere ao vinho me encanta". Outro fato interessante é que ela busca sempre a menor intereferência possível da madeira em seus vinhos, preservando o frescor e a leveza.
São vinhos ainda jovens, de vinhedos também jovens (10, 12 anos) e que estão evoluindo a cada safra. Já foram bem pontuados na feira Expovinis e citados por quem entende do assunto, como Marcello Copello, João Felipe Clemente e acho que eles tem razão.

Bons vinhos a um custo honesto, merecem a nossa atenção.

2 de fevereiro de 2010

Hedone Gran Reserva Syrah 2005

Toda vez que eu abría minha adega, esse syrah acenava pra mim e pensando agora como é bom, não sei porque demorei tanto para abrí-lo. Talvez por que bebo bem menos syrah do que deveria, mas o fato é que estou revendo isso, ainda mais pelo número de opções que temos à disposição.

Esse vinho é produzido pela bodega argentina Lauri Viana, que já falei por aqui. Sua cor é rubi bem escuro e deixa muitas lágrimas densas na taça. Aromas de ameixa bem madura, adocicada, menta, chocolate e pimenta. Na boca é untuoso, carnudo, também coma fruta madura bem marcada e doce - taninos finos e aveludados. Conjunto equilibrado e persistente. Ótimo vinho.

Paguei cerca de R$ 60,00 na época que era vendido pela Grand Cru. Se alguém souber quem importa agora os vinhos desse produtor, comente aqui.

1 de fevereiro de 2010

Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2009


Esse é o 38.o vinho selecionado para a Confraria Brasileira de Enoblogs e quem escolheu o vinho deste mês, foi meu confrade Cristiano, do blog Vivendo Vinhos, aliás uma boa escolha para os dias quentes de verão.

Já falei outras vezes da linha Casillero del Diablo por aqui - é uma das mais vendidas no mundo. São vinhos sempre bem feitos, equilibrados e de ótimo custo-benefício. Parece que a Concha y Toro conseguiu "globalizar" o gosto do consumidor e acertar em cheio a parte que mais dói em nós, o bolso.

Esse sauvignon blanc não foge à regra - com a tipicidade que se espera dos vinhos dessa uva, tem uma cor palha quase transparente e aromas cítricos como maracujá e limão. Na boca também é bem frutado e tem uma acidez rasgante. Ótimo para se beber sozinho como vinho de entrada ou para acompanhar saladas e frutos do mar.


29 de janeiro de 2010

Olhares de Baco #3

28 de janeiro de 2010

Etna Rosso 2008

Esse italiano foi indicado pelo nosso amigo sommelier Diego no dia em que estivemos no Restaurante Olivetto. A escolha foi feita pelos diferenciais do vinho - pra começar a uva de que ele é feito chama-se Nerello Mascalese. Segundo o Diego, as vinhas são plantadas em vinhedos de altitude elevadas, na encosta do vulcão Etna. Diferente não?

Mas a diferença não está só na história, mas no vinho em si. Sua cor é bem próxima de um pinot noir, rubi translúcido com reflexos atijolados e muito aromático, com notas de couro e fruta cristalizada. Na boca, como se espera de um italiano típico, apresenta ótima acidez, taninos rústicos, mas não agressivos. Um conjunto equilibrado e par perfeito para harmonização com massas e molhos untuosos e de sabor intenso.

Um italiano bem diferente, numa noite de vinhos esplêndidos, que conto em breve por aqui.

27 de janeiro de 2010

Cava Castell de la Comanda Brut Rosé


Espanha

Cava Rosé, Trepat

Vinícola: Castell D'OR

Preço:








Essa cava também foi gentilmente trazida pelo amigo Emerson no mesmo dia da paella, para iniciar os trabalhos. É uma cava feita da uva Trepat, uva tinta típica espanhola, usada para elaboração de cavas rosadas.

Tem uma bonita cor rosa escura e seus aromas são intensos de fruta vermelha fresca (cereja, morango) e um marcante toque mineral. Na boca é bem cremosa, boa acidez e se repete a mineralidade. Bolhas muito finas e apenas 11.5% de álcool.

Uma cava diferente e divertida, que acompanhou perfeitamente umas casquinhas de siri.

26 de janeiro de 2010

Artistas mimados gostam de vinhos caros

Sempre soube que os artistas gostam de alguns mimos em seus camarins antes de começarem seus shows, mas lendo a reportagem do G1 no link abaixo, me surpreendi com os pedidos exagerados de Caetano Veloso e Marcelo D2, por exemplo, exigindo garrafas e mais garrafas de vinhos importados e champagne Cristal.

De tão caro, acabaram trocando por uma Veuve Clicquot "básica".
Que tal um espumante brasileiro hein Caetano?
;-)

Leia a matéria completa no portal G1:


25 de janeiro de 2010

Can Bonastre Blanco 2007


Espanha

Branco, Xarello, Chardonnay, 2007

Vinícola: Can Bonastre






Vanessa finalmente resolveu preparar uma deliciosa Paella aqui em casa e para harmonizar, o amigo Emerson trouxe esse típico espanhol e acertou em cheio!

É um corte de 60% Xarello e 40% Chardonnay. Xarello é uma uva branca autóctone da região de Penedès, muito usada na elaboração de Cavas.

Sua cor é palha claro brilhante, com reflexos esverdeados. Os aromas são intensos, com predominância de frutas cítricas e um delicioso toque floral. Na boca tem acidez marcante e persistente, parecida com o vinho verde português, que harmonizou perfeitamente com a untuosidade do prato.

Um vinho com álcool comportado, equilibrado, que pode ser bebido até sozinho, mas sinceramente, recomendo a Paella para acompanhar - foram feitos um para o outro.

24 de janeiro de 2010

Olá muito prazer, eu sou a uva Marselan.

A marselan é uma uva que produz vinhos bem diferentes, daqueles que você pára pra pensar 1 minuto antes de emitir uma opinião.

Não tem aquele aroma de fruta vermelha óbvia, ou aquele excesso de madeira não. Um vinho escuro, de aromas intensos do início ao fim, algo químico, éter, groselha, taninos muito vivos ainda e alta acidez. Não é um vinho fácil ou previsível, mas que vale a pena provar pelo menos uma vez na vida.

Por enquanto o Cave Antiga Marselan 2006, é a referência que levo de um vinho da uva marselan.

Amor ou ódio? Experimente.
Conhece algo melhor? Indique aqui.

22 de janeiro de 2010

Beba vinho, mas beba com moderação

Navegando por aí, sempre em busca de informações sobre vinhos, me deparei com o link "Wine in Moderation". Para minha grata surpresa, descobri um site totalmente voltado para a cultura do consumo responsável do vinho.

Segundo o site, criado pelo setor do vinho europeu e apoiado por diversas entidades, "O Programa VINHO com MODERAÇÃO, é uma iniciativa do setor do vinho Europeu, que visa a promoção da responsabilidade e moderação no consumo de vinho e a contribuição na prevenção do consumo abusivo e o uso impróprio das bebidas alcoólicas na Europa."

O site, além de muito bonito e organizado, tem um extenso conteúdo com diretrizes para um consumo responsável, informações sobre os riscos do exagero, os benefícios do consumo moderado, beber x dirigir e tudo isso escrito em 6 idiomas, incluindo o português.

Vale a visita para ficar bem informado, afinal gostamos de apreciar nossos vinhos, devagar e sempre não é?
;-)

21 de janeiro de 2010

Escorihuela Gascón Viognier 2008


Argentina

Branco, Viognier, 2008

Vinícola: Escorihuela Gascón

Preço: R$ 46,00





Já falei desse vinho por aqui no início do ano passado (relembre), mas resolvi falar de novo, tamanha a diferença entre um e outro, apesar de apenas 1 ano de diferença.

Enquanto o 2007 era mais seco, ácido e cítrico, inclusive dando aquela sensação de agulhada na ponta da língua, o 2008 não, é mais adocicado, aveludado e untuoso na boca, uma fruta mais madura e doce e um floral intenso, que em vários momentos lembrou um gewurztraminer.

Muito bom, mas vai entender?