E para finalizar a semana, um vinho de sobremesa excepcional.

Antes de falar do vinho vou contar um pouco sobre o home por trás desse vinho. Na Expovinis de 2010, tive a grata oportunidade de conhecer um grande figura do mundo do vinho, o Sr. Pablo Morandé, ou como o chamam, Don Pablo Morandé. Este homem é um visionário. Ele era enólogo do grupo Concha y Toro e responsável nada menos pelo famoso Don Melchor, até que em meados dos anos 80, decidiu investir em seus próprios vinhos e criou sua vinícola de mesmo nome Morandé, numa região desconhecida até então no Chile, o Vale de Casablanca. Daí por diante, iniciou-se a corrida para a descoberta desse novo terroir, principalmente para o cultivos de uvas brancas.

Esse vinho de sobremesa vem de lá. Segundo o produtor, em determinados anos, através de uma combinação de fatores climáticos na região, esse vinho pode ser produzido a partir da Botrytis, também chamada de “podridão nobre”. O nome é péssimo, mas o resultado é delicioso. Esse processo é fruto do aparecimento de um fungo sobre as uvas chamado Botrytis cinerea que perfura e penetra a casca e provocando a saída de água, concentrando-se o açúcar. Como resultado, as uvas ficam ressecadas parecendo passas. Quando colhidas produzem um vinho único, de doçura inigualável.

E esse não é diferente. Seus aromas são muito intensos de mel e fruta cristalizada. Tem uma linda cor âmbar e na boca é aveludado, tem corpo e estrutura, mas sua acidez não é tão acentuada, mas nem por isso enjoativo. Equilibradíssimo.

Apenas um detalhe: não perca tempo tentando harmonizar esse vinho. Deixe para o final da noite, para beber em pequenos goles e em boa companhia.

Será um final feliz.

Mas se você estranhou no título “a lenda da rolha”, não se preocupe.
Explico no próximo post.

 

 

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