Como falei no post anterior, Pablo Morandé é notório, mas realmente pude comprovar isso ao vivo, em 2010, quando conheci pessoalmente o homem.

Expovinis 2010, eu meu amigo Daniel Perches andávamos pela feira em busca de novidades, nos deparamos com o stand da Morandé e lembrei de um vinho deles, o Edición Limitada Carignan que havia sido bastante e bem comentado, inclusive pelo nosso saudoso Saul Galvão. Fomos então para dentro do stand e logo que entramos um rapaz nos recebeu e perguntou se gostaríamos de degustar algo em especial e citamos o carignan. Aproveitamos e perguntamos se o enólogo estava por alí, quem sabe não dávamos a sorte de conhecer Pablo Morandé?

O rapaz respondeu: “Ah! Querem conhecer Don Pablo? Ele está logo alí, vou chamá-lo.” O rapaz então se dirigiu ao fundo, onde numa pequena mesa, estava um senhor alto, rosto grande e de cabelos grisalhos. Falou com ele e rapidamente se levantou e veio ao nosso encontro. Muito simpático, se apresentou e nos cumprimentamos. Falei então de nossa vontade de provar o Edición Limitada Carignan. Ele rapidamente nos serviu o 2006 enquanto nos falava sobre o vinho. Um vinho sensacional, excelente acidez, frutado, potente mas ao mesmo tempo muito equilibrado. E quando achei que havia me dado por satisfeito, ele vai ao fundo do stand, na mesa em que estava sentado e busca uma garrafa já aberta do mesmo vinho, só que 2004. Servindo nossas taças e só disse: “Prove e compare”. Outro vinho! Elegância pura. Ele citou suas diferenças enquanto prestávamos muita atenção. Dez minutos de aula.

Satisfeitos então e Don Pablo tão feliz quanto nós de demonstrar suas criações e ser correspondido por esses aprendizes, resolvemos ir embora. Antes porém, ele nos chamou para o último gole, um doce gole, o de seu late harvest botritizado. Sem pensar em recusar, aguardamos ele nos servir e não é que na hora de abrir, a rolha quebrou ? O vinho, de linda cor âmbar, ficou com quase um dedo de rolha esfarelada no gargalo.

Enquanto pensávamos num jeito de tirar os pedaços de rolha da garrafa, ele calmamente pegou a garrafinha, se dirigiu a um latão que havia alí perto e num único golpe com a garrafinha, como se a chicoteasse, jogou fora todos os pedacinhos de rolha sem perder praticamente nada do vinho.

Voltou com a garrafinha e sorrindo, nos serviu generosamente cada taça com o delicioso vinho de sobremesa, enquanto eu e Daniel ainda tentávamos entender o que ele havia feito.

Sempre achei que havia algo de “mágico” nos grandes enólogos.

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