O EPU para quem não sabe, é o “segundo” vinho da Almaviva, o ícone chileno produzido por uma joint-venture entre Concha y Toro e Baron Philippe de Rothschild. O EPU, que na língua Mapuche que dizer “dois”, nasceu de uvas que não seriam utilizadas para produzir o Almaviva, já que os vinhedos tinham influência de eucaliptos plantados perto, conferindo ao vinho um aroma mentolado.

Mas chamar o EPU de segundo vinho é um pecado. Já provei o Almaviva e não vejo praticamente diferenças entre eles. Ambos tem muita qualidade e grande personalidade, mas especialmente o EPU, tem aquela característica rara dos grandes vinhos: equilíbrio perfeito entre potência e elegância.

Em uma noite mágica, proporcionada pelo amigo Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos), que como sempre conseguiu segurar as garrafas para uma vertical, tive a oportunidade de provar 3 safras desse pequeno grande vinho: 2001, 2006 e 2007.

EPU 2001

Cor ainda rubi muito escura, sem sinais de evolução. Aromas de fruta seca, tâmara, geléia de frutas negras, pimeta preta, terra molhada e um leve mentolado. Enche a boca, acidez excelente, taninos ainda vivos mas finos e um longo final de café tostado. Fantástico!

EPU 2006

Totalmente diferente do primeiro. Nariz herbáceo, terra molhada, alcatrão, a fruta negra também em compota e na boca também bastante frutado, mas sem tanta complexidade. O álcool aparece mais e seus taninos são macios e polidos.

EPU 2007

O 2007 lembra o 2001 e evoluirá muito bem como o irmão mais velho. Nariz complexo, fruta adocicada, especiarias, chocolate, café e um toque mentolado. Na boca é carnudo, confirma os aromas, mas a fruta é mais presente. Muito macio, bom corpo e também com um longo final tostado.

 

Pela ordem, minhas preferências foram: 2001, 2007, 2006. É claro, que compará-los é até injusto, pois cada um tem um corte diferente e suas características particulares, mas todos são muito bem feitos.

Um grande vinho, que recomendo que você abra a garrafa e beba, sem harmonizar com nada.

É daqueles para se apreciar lentamente até a última gota.

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