Essa com certeza foi uma das visitas mais memoráveis da viagem.

Depois de marcar e desmarcar várias vezes a visita por causa de nossa agenda apertada, finalmente me acertei com o Ignácio e a Gabriella, gerentes de exportação da Pisano.

Chegando à Pisano fomos recebidos gentilmente por eles e Gabriella nos conduziu aos vinhedos, enquanto contava um pouco da história da Pisano. A conversa fluía normalmente mas de repente, eis que do nada aparece ele, o furacão Daniel Pisano, um dos mentores deste grande projeto.

Com sua personalidade forte e bigodão com as pontas enroladas para cima, este homem assumiu a apresentação que Gabriella estava fazendo e seguimos em frente escutando atentamente suas histórias. E quantas histórias!

A primeira coisa que ele nos disse foi: “A Pisano é mundialmente conhecida por NÃO ter hotel e NÃO ter restaurante”. Disse isso rindo alto. Ele explicou que não tem a intenção de oferecer estrutura para o enoturismo. O que a Pisano quer e sabe fazer é vinhos e pronto. Concordo plenamente com ele. É uma questão de foco apenas.

Atualmente a Pisano produz 400.000 litros/ano em seus 32 ha e exportam metade do que produzem para 45 países. Estão apostando muito na Petit Verdot.

Dominados totalmente pela energia e magnetismo deste homem, conversamos principalmente sobre o estilo de seus vinhos. Ele acredita que os vinhos expressam a personalidade do seu dono e isso se vê claramente em seus vinhos. Todos eles são intensos em aromas e sabores, muito frutados, madeira bastante presente. Vinhos de grande personalidade. Ele se orgulha de produzir vários vinhos “únicos”, como eles mesmo diz. Veja alguns “únicos” da Pisano:

  • o único vinho da uva Torrontés fora da Argentina
  • o único espumante de tannat
  • o único licor de tannat feito feito pelo método de fazer amarone e porto juntos
  • possui o único “parriforno” do mundo. (com um sorriso maroto no rosto)

E é tudo verdade. Pelo menos ele garante. 😉

Depois ele nos levou para uma cave onde estão guardados muitos vinhos de safras antigas e nos mostrou algumas raridades. Ficamos com água na boca.

Seguimos então para um local fechado, com uma mesa grande para 12, 14 pessoas e ao fundo o tal “parriforno”, nome dado por Daniel para, segundo ele, a única parrilla com forno no mundo. Assista no video abaixo a explicação de Daniel :

Depois de nos apresentar o parriforno, partimos para a degustação dos vinhos. E não foram poucos. A cada história, uma nova garrafa se abria, de onde saíam mais histórias e assim as horas se foram. Passamos muito tempo lá dentro degustando seus vinhos, beliscando uma enorme tábua de frios, aprendendo e rindo muito com as histórias de Daniel, seu irmão Gustavo, também enólogo, Ignácio e Gabriella.

Da extensa lista de vinhos que provamos, os que mais me impressionaram foram:

Pisano Torrontés
Um vinho de aromas encatadores. Floral, frutas cítricas, só que diferente de outros que provei tem mais corpo, a acidez mais equilibrada, é mais macio e untuoso. Ótimo.

Pisano Tannat 2009
Segue a linha deles de bastante fruta negra, especiarias, terra molhada, bom corpo, macio e equilibrado.

Pisano Tannat Syrah Viognier 2008
O mais surpreendente. Aromas florais, fruta vermelha fresca, na boca tem corpo médio, excelente acidez, taninos finos. Um vinho feminino.

Pisano Petit Verdot 2008
Outra surpresa. Um petit verdot que inclusive estão apostando bastante por lá, com muita estrutura, taninos rústicos, frutado, toque de chocolate, boa acidez e final longo de defumado e tabaco.

Pisano RPF Tannat 2008
Super tannat. Toda tipicidade da tannat foi extraída nesse vinho. Frutado, terroso, taninos em grande quantidade, muita acidez, corpo médio, final muito longo.

Licor de Tannat 2007
Excelente vinho de sobremesa. Ele e feito num processo onde se misturam os processos do Amarone e do Vinho do Porto. O resultado é um vinho de 15.6% de álcool que não aparecem. Aveludado, doce, mas sem ser enjoativo, aromas de frutas secas, perfeito para acompanhar sobremesas com chocolate.

Veja abaixo mais fotos da Bodega Pisano:

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Mas espere! Ainda tinha mais…

E quando já estávamos de saída, lá pelas 8 da noite, não sei porquê começamos a conversar sobre motos, outro esporte que gosto muito além do vinho, Daniel Pisano me vira e fala. “Já que você gosta tanto de motos, vamos até minha casa que fica aqui perto. Vou te mostrar minha coleção de motos antigas!”. Inacreditável.

Fomos então até a casa dele e ele nos levou a uma garagem que fica nos fundos da casa. Quando abriu a garagem a surpresa, cerca de 15 motos antigas, algumas ainda sendo recuperadas, outras prontas e funcionando. O sonho do apaixonado por motos.

Conversamos bastante e ele me contou mais sobre sua paixão pelas motos antigas. É seu hobby recuperar essas raridades. Ligou uma após a outra e me mostrou como ainda estavam em ótima conservação. Triumph, Harley e outras marcas que nunca tinha ouvido falar.

Por fim, ele pegou sua Triumph e saiu pela noite para nos demostrar como estava funcionando perfeitamente sua máquina. Um barulhão que deixou a cachorrada maluca e acordou toda a vizinhança.

Era como um garoto em sua bicicleta nova mostrando aos amigos.
Ele estava feliz.

Imagine eu.

>> Veja aqui o roteiro completo desta viagem ao Uruguai

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